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Allan Kaprow  (EUA, 1927- 2006) é o criador do Happening e um dos pioneiros no estabelecimento dos conceitos de performance. Seus Happenings, quase 200, ocorreram durante anos; mas Kaprow alterou gradualmente estas práticas para o que ele denominou de Atividades, trechos de pequena escala para um ou mais performers e objetivando examinar comportamentos e hábitos do dia-a-dia, de uma forma quase indistinta da vida comum. Em Horizonte Expandido Allan Kaprow é lembrado por suas Atividades como uma rpossibilidade de arejar e recuperar o prazer da investigação lúdica e do empirismo das ações pedagógicas realizadas no campo da arte, convidando-nos a borrar os limites entre o que se pode considerar ação criadora, fruição, crítica e mediação.

Ana Mendieta (Cuba, 1948 – EUA, 1985) começou a fazer performances e earth-body works em 1972. Sua série Silueta, feita no México e em Iowa de 1973 a 1980, é seu trabalho mais comentado. São mais de cem obras em que Mendieta faz a silhueta de seu corpo aparecer em meio à natureza: no chão gramado, de terra batida ou molhada, na areia, num solo rochoso, entre uma vegetação rasteira ou na água. Morte e vida, em seus aspectos naturais e culturais, são temas recorrentes na obra de Ana Mendieta; quer seja reproduzindo com seu corpo uma cena de estupro ou inscrevendo símbolos femininos na paisagem.

Bas Jan Ader (Holanda, 1942 – perdido no mar em 1975), foi um artista conceitual, performático, fotógrafo e cineasta.  Apesar de trabalhar também com instalações, seu trabalho geralmente é apresentado através de fotografias e filmes de suas performances. Em Horizonte Expandido apresentamos o filme I’m To Sad To Tell You (1970) que apresenta o próprio artista chorando na frente de uma câmera. Ader cria e performatiza neste filme, assim como em grande parte de sua obra, em uma atmosfera de teatralidade artificial que acaba também por criar um espaço tragicômico.

Bruce Naumam (EUA, 1941) é referência inquestionável da arte contemporânea internacional. Nos anos 60 e 70, seus trabalhos conceituais exploraram instantaneidade, espaço e intimidade e do­cumentam performances caracterizadas por movimentos repetitivos e protagonizadas pelo próprio artista. São ações em que emprega seu corpo em dimensão escultórica, em várias posições em relação à arquitetura do seu estúdio.

Chris Burden (EUA, 1946) desenvolveu, a partir dos anos 70, uma série de ações nas quais utilizou o próprio corpo como material de trabalho e de comunicação, assumindo-se como um dos protagonistas do movimento da Body Art nos Estados Unidos. Nas suas performances, é evidente a tendência para as ações mais extremas e radicais (quase suicidas), através das quais busca ques­tionar algumas práticas sociais e tabus ligados à cultura con­temporânea e, simultaneamente, colocar em causa a função da arte e a responsabilidade ética do artista.

Dan Graham (EUA, 1942) foi galerista, escritor, teórico, fotógrafo, videoartista e arquiteto. No final da década de 1960, entrou em contato com trabalhos de artistas minimalistas como Dan Flavin e Sol LeWitt e começou sua produção artística. Como artista tem uma produção que desestabiliza as categorias tradicionais da arte. Da arquitetura, conserva a preocupação com a inserção no espaço público e a interação com as pessoas, as esculturas, o rigor formal e os materiais.

Dennis Oppenheim (EUA, 1938) desenvolveu, durante os anos 70, algumas manifestações próximas da Body Art, nas quais usava o próprio corpo como suporte ou como documento da ação das formas naturais. No final dessa década produziu alguns objetos que representam máquinas sem função, animadas com luz e som. Quase todas as intervenções e instalações que realizou nestes anos são enquadráveis em princípios conceitualistas que conferem maior importância aos processos mentais do que ao caráter objetual. 

Gordon Matta-Clark (EUA, 1943 – 1978) formou-se em arquitetura pela Cornell University, e foi um dos principais artistas da vanguarda de Nova York na década de 1970. Admirador confesso da obra de Robert Smithson, seu trabalho foi feito em grande parte fora dos limites dos museus e galerias. Eram intervenções na paisagem urbana e performances que foram gravadas e fotografadas. Tendo como eixo a des-humanização do mundo moderno, o artista fazia intervenções em construções através de cortes, criando aberturas e buracos. Seu interesse era revelar o espaço negativo das cidades.

Hélio Oiticica (Brasil, 1937 - 1980) é um dos mais re­volu­­cionários artistas de seu tempo. Seus trabalhos foram experimentais ao longo de toda sua vida, rompendo com o conceito de obra de arte, para a relação de proposta entre artista e público. É reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes artistas da arte contemporânea. Em Horizonte Expandido, Oiticica será trazido ao público através de um filme, depoimentos e documentos. 

Joseph Beuys (Alemanha, 1921 - 1986) é considerado um dos mais influentes e controvertidos artistas europeus da segunda metade do século XX. Criou uma obra semeada de obstáculos, muitas vezes realizada sob vaias do público e incompreensão da crítica. Suas “ações”, entretanto, sempre ganharam o sentido de verdadeiros rituais, que mostram Beuys em um estado de concentração e intensidade cuja força comunicativa, freqüentemente qualificada de fascinação, é atestada por todos os presentes. Em Horizonte Expandido as discussões sobre sua obra são geradas a partir da visão orgânica que conferiu a seu exercício artístico, através de uma entrevista com o artista, na qual a participação de conteúdos políticos, poéticos, experienciais e humanos exemplificam a tota­lidade conceitual do que Beuys designou escultura social.

Marina Abramovic (Iugoslávia, 1946) é sem dúvida uma das artistas seminais de nosso tempo. Desde o início de sua carreira, no início dos anos 70, Marina Abramovic tem sido a pioneira no uso da performance como uma forma de arte visual. O corpo sempre foi seu tema e sua mídia. Explorando os limites físicos e mentais, ela suportou a dor, a exaustão e o perigo em busca da transformação emocional e espiritual. A artista interessa-se pela criação de trabalhos que ritualizam as ações simples da vida cotidiana como deitar, sentar, sonhar e pensar e que geram como efeito direto e natural a manifestação de um único estado mental.

Nancy Holt (EUA, 1938) é tida como membro-chave da chamada Land Art e foi influenciada por artistas com os quais conviveu diretamente, como Richard Serra, Michael Heizer, Nancy Graves e, sobretudo, Robert Smithson – com quem se casou em 1963. Holt trabalha com conceitos de memória e percepção do tempo e espaço e, muitas vezes, utiliza o ambiente natural como um meio e/ou assunto para peças que abrangem uma grande variedade de mídias – incluindo cinema, escultura e instalação. Seu trabalho mais conhecido, Sun Tunnels, revela o interesse da artista na exploração dos efeitos celestes e cósmicos (particularmente o solstício de verão), e na recuperação e re-utilização de terras em desuso.

Robert Smithson (EUA, 1938 – 1973) é um dos nomes mais relevantes da história da arte da segunda metade do século XX. Ocupa uma posição privilegiada na mostra Horizonte Expandido pela influência que seus escritos exerceram na etapa de formação do projeto Areal, em função da clareza com que o artista sistematizou a relação dialética entre “dentro e fora”, muitas vezes tomada de forma dicotômica quando se debate a crise do sistema expositivo e produção extramuros. Uma das preocupações constantes de Smithson era com a conexão entre natureza e ambiente. O conceito físico da entropia, o decair da ordem para o caos são aspectos característicos de suas intervenções paisagísticas. O caminho de Smithson vai da pintura expressionista abstrata para o tema non-site. Em 1970 desenvolveu o seu conceito de escultura de site, que define escultura como parte de um certo espaço, e não como objeto isolado e móvel.

VALIE EXPORT(Áustria, 1940). Waltraud Lehner, ainda usando seu nome de batismo, estudou desenho e pintura em Viena e iniciou sua carreira artística no início dos anos ‘60. Em 1967, procurando assumir um estado de exceção e não-assimilação, criou o nome VALIE EXPORT (um conceito e logomarca que deve ser grafado somente em letras maiúsculas) e passou a usá-lo como expressão de sua personalidade artística. Utilizando o corpo como principal ferramenta de trabalho e influenciada pelas intervenções dos poetas do Grupo de Viena que, na década de 50, tomaram para si a tarefa de resgatar o caráter corporal e pluralista da poesia, VALIE EXPORT destacou-se entre os artistas de sua geração por fazer de suas performances um instrumento artístico/político de reação contra as estruturas de poder que, segundo ela, regem nossos complexos lingüísticos e conformam nossas noções de cultura, sociedade, consciência e identidade.

Víctor Grippo (Argentina, 1936 – 2002) é considerado o pai da arte conceitual na Argentina. Estudou Química e Farmácia da Universidade de La Plata, e participou de seminários por Héctor Cartier na Escola de Belas Artes. Começou como pintor e gravador em 1950, e na década de 1960 começou a fazer experimentos com escultura, produzindo peças animadas (com motores e iluminação). Com formação de químico, Victor Grippo sempre esteve interessado em explorar as relações entre arte e ciência e fez uso de materiais nativos de seu país, conferindo um significado político ao seu trabalho.

Vito Acconci (EUA, 1940) iniciou a sua atividade artística no final dos anos 60, reagindo contra a rigidez matemática e a austeridade formal do movimento minimalista que se desenvolveu durante essa década. Opondo-se ao caráter comercial da arte, desenvolveu manifestações efêmeras que se dirigiam diretamente ao público. Adotou a performance como manifestação preferencial para concretizar as suas propostas estéticas e o uso do próprio corpo como tema e material de trabalho e veículo para a expressão.