areal

METÁFORA [EL MENSAJERO}

ANDRÉ SEVERO e PAULA KRAUSE

 

GALERIA FAYGA OSTROWER

Complexo Cultural Funarte Brasília

Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural

Brasília-DF 

 

VISITAÇÃO

06 de agosto a 20 de setembro de 2015

De segunda-feira a domingo, das 9h às 21h

 

 

 

Contemplado pelo PRÊMIO FUNARTE DE ARTE CONTEMPORÂNEA 2014 – Atos Visuais Funarte Brasília, a exposição é uma colaboração entre os artistas André Severo e Paula Krause e resulta em uma grande instalação baseada na desconstrução de uma série de imagens, textos e filmes produzidos há mais de uma década pelos artistas.

 

Apostando no espaço concentrado da sala de exposição como um lugar de projeção para o processo poético, o projeto tem o tempo e a memória como elementos latentes de sua estruturação e busca dar testemunho da imponderabilidade da experiência criativa e de sua eminente relação com os condicionantes espaciais e temporais que definem algumas de suas possibilidades de apresentação. Elaborado através de uma cuidadosa seleção de elementos visuais e textuais que se mantiveram referenciais para os artistas, tanto em suas pesquisas criativas individuais, quanto nas propostas que produziram conjuntamente, a instalação insere-se, ainda, na dinâmica de questionamento entre as instâncias processuais e os suportes de registro dos trabalhos poéticos que os artistas vêm realizando (através, principalmente, de produções audiovisuais e do registro de performances e ações vivenciadas diretamente na paisagem), e passa a ser também uma investigação sobre as possibilidades associativas e dissociativas de objetos poéticos dentro do ambiente expositivo.

 

Almejando um desdobramento das dimensões locais e específicas da galeria para a dimensão inexprimível da subjetividade, a ostra aposta no imperativo da relação entre memória e consciência (e, conseguintemente, da dinâmica do mêmore e do imêmore como uma justaposição entre lembranças próprias e aproximação com objetos de lembranças alheias) como a possibilidade de criação de uma noção particular de tempo e espaço – onde o lembrar não figura ser somente voltar-se para as experiências passadas, reevocando e reordenando material pessoal reminiscente, mas, também, um vergar-se sobre rastros de lembranças de outrem para entender certas (ou incertas) circunstâncias da própria vida. Além disso, neste projeto, espaço de articulação, imagem, tempo e memória trabalham em conjunto para que a proposta de apropriação, desconstrução e reelaboração de meios, temas, instrumentos, conceitos e linguagens evidencie o processo intuitivo de criação repartida e possa alcançar um tipo híbrido de expressão poética – que busca, sobretudo, conjugar as potencialidades específicas dos objetos de que se utiliza e transformar o espaço e o tempo reais da apresentação em novas possibilidades de representação.

 

Nascida da necessidade compartilhada de entrega para um processo de rememoração descontinuada da ordem temporalizada; da vontade de reviver conjuntamente experiências importantes na historia individual e mesclá-las com a reatualização de fatos aparentemente já desligados da vivência imediata; e, principalmente, da necessidade de produzir, em parceria, o estranhamento de lembranças comuns tendo em conta a incapacidade de recuperar memórias já distantes da consciência, o projeto intenta, em última instância, extrapolar o contexto imediato de sua instauração e migrar em direção a uma experiência estética de duração – onde a acepção final somente pode se dar através da articulação dos diversos modos com que o espaço da instalação pode ser apreendido temporalmente.